José Bonifácio Guimarães do Nascimento nasceu em Muaná, arquipélago do Marajó, Pará, cidade de característica ribeirinha, rica em pescados, camarão e açaí. Aos 16 anos de idade, partiu de sua cidade natal rumo à Macapá-AP. Trabalhando na capital amapaense, Boni deu continuidade aos estudos, ingressando no ensino médio da Escola Tiradentes. Na década de 1980, cursou desenho e pintura na Escola de Artes Cândido Portinari, onde permaneceu por dois anos em formação artística. Em 1992, Boni ingressou no tão almejado curso superior da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).
Sua investidura no curso de Educação Artística, com Habilitação em Artes Plásticas, marcou sua trajetória acadêmica. Estudou com importantes artistas plásticos, como Raimundo Pantaleão e Ronaldo da Gama, e conviveu, naquela época, com outros artistas, como Paulo Rodrigues e Limeira. O concurso público de 1996 selou seu objetivo profissional, ao ser admitido como professor de Arte no quadro efetivo da rede estadual. Pleiteou uma vaga de desenho e pintura para a Escola de Artes Cândido Portinari.
Em sua carreira docente, Bonifácio compartilhou conhecimentos e também aprendeu sob a influência de alguns artistas da época em que era aluno de desenho: "Ivan, nas misturas de cores; Da Gama, nos traços criativos; Limeira, no desenho primoroso; Porto, na expressão do desenho...".
Ao longo de seus 30 anos de carreira docente, exclusivamente no Centro de Educação Profissional em Artes Visuais Cândido Portinari, o professor-artista Bonifácio obteve dois títulos em seu currículo: Aperfeiçoamento (2007) e Especialização (2014), com o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Docência na Educação Profissional, pelo Instituto Federal do Amapá (IFAP). Participou de inúmeras exposições coletivas, como a Expofeira de 1996, a Bienal de Arte Natural de 1999 e a mostra intitulada Propriedade do Traço, em 2003. Sua participação artística revela uma compreensão do mundo, traduzida em cores, traços e texturas singulares de seu modo de ser artista. Nesse processo da vida, José Bonifácio constituiu família há 32 anos com sua esposa, Shirley, com quem teve os filhos João Vitor e Bárbara Cristina, inspirações e motivações em sua existência como um todo.
Ao longo das produções de Boni, é possível perceber a busca por uma arte construída ao ponto de configurá-la em uma materialidade. São imagens trabalhadas como que ao risco do carpinteiro, de traço a traço, como que montadas sobre camadas e módulos, até a imagem irromper em relevo. Os traços em linhas retas funcionam como demarcações na composição, extrapolando limites, transgredindo planos e quadrantes, superando a tradicional perspectiva linear. A madeira, por sinal, tem sido um suporte frequente e aparente na autoria de José Boni, algo que evidencia uma relação entre as texturas táteis da madeira, em sua crueza e beleza natural, e as texturas gráficas de seu trabalho artístico. Além disso, Boni demonstra ser um pesquisador de cores, um colorista das técnicas mistas, obstinado em construir efeitos cromáticos como resolução pictórica para o mundo, rico em contrastes, intensidade e luz.
Em sua primeira exposição individual, Boni reúne um acervo de nove séries, somando um total de trinta e três obras e constituindo um repertório diversificado de peças bidimensionais, entre telas, suportes mistos e objetos. Trata-se de uma produção condensada nos últimos sete anos, porém maturada após 30 anos de profissão, até chegar à importante decisão de realizar uma exposição individual, proporcionando à sociedade amapaense a oportunidade de contemplar uma mostra deslumbrante de artes visuais de quem dedicou uma jornada de vida a esse ofício: ser professor-artista amazônico.
Texto publicado em 25 de setembro de 2026.
Boni, entre materiais didáticos. Laboratório de pintura.
jbnascimento248@gmail.com
Boni (à direita), ministrando aula ao lado de Ronne (à esquerda), sala de pintura.
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